segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A minha vida, pelos meus olhos                                 17/03/2016

          Sei que o que vou contar me fará parecer, não como uma mulher de 40 anos, mas, como uma menina, ou retardada, que seja, eu tenho quase certeza de que sou uma na verdade.
          Não tive pai, ou mãe, ou tia, ou prima, ou avô e sempre dependi da caridade dos outros. Não era de comida, roupa ou dinheiro, porque isto eu nunca tive. A maior caridade de que dependia, tinha vicio mesmo, era de atenção. Desde que me entendo por gente, eu apenas sobrevivi... aos maus tratos de uma mulher, que nunca me quis, ao fato de tomar para mim, a responsabilidade de cuidar de quatro crianças, e nesse vida, perdi 12 anos.
          Estou sendo injusta, pois, nem tudo foi trevas, porque tive um anjo muito bom que me estendeu sua mão e, ganhei outros 12 anos de relativa paz. Descobri meus verdadeiros defeitos e qualidades e minha força e fraqueza. Ele não me deu muita atenção, também coitado, cuidar de pelo menos mil crianças não era uma das mais fáceis tarefas. Entretanto, meu pai o fez de coração e alma... sim, meu pai, porque foi ele quem me trouxe a luz e acalmou uma alma perdida, triste e sombria. Meu pai!
         No entanto, houveram sequelas. Acredito na bondade do ser humano, mais não o deixo chegar muito perto, a ponto de enxergar o que vai à minha alma, não sei como dividir o que sinto ou, pelo que estou passando em determinadas curvas de minha caminhada.
         Eu acredito que se contar o que está errado, onde dói, o que me falta, darei vida ao vulto sombrio que esteve e, acho que sempre estará comigo, em mim. E, não muito obstante, o quanto sou mal agradecida, franca, oportunista, dramática... a lista é bem extensa.
        Por conta dos meus primeiros 12 anos naquele lugar, aprendi a ser sozinha e a fazer as coisas acontecerem. Nos outros 12, pude relaxar, pois, agora eu tinha uma bússola, mesmo ainda sendo sozinha dentro do meu coração. Neste momento eu tinha me apaixonado perdidamente pela música, pelos livros e finalmente, não queria mais partir.
         Não sou muito boa em falar sobre quem eu realmente sou ou pelo que passei, pois, sempre tem aquele que me taxa de coitada. Grande erro, não sou nenhuma coitada, e sim uma abençoada, estive literalmente no vale da morte, pois, encontrei o caminho sozinha, mas Deus me disse não ser ainda a minha hora, andei entre drogados, prostitutas, bêbados e fui salva por 4 anjos enviados por Ele.
          Por que será que as pessoas ao ouvirem relatos como este, tentam mudar o narrador como se ele fosse uma almofada rasgada ou uma parede descascada?
          Percebam, se alguma coisa rasga, estará para sempre rasgada, com a única diferença de que agora terá um novo remendo e mesmo que se dê 500 mãos de tinta nesta parede, ela irá descascar novamente e, no mesmo lugar.
          Nada voltará a ser como deveria ou gostaria que tivesse sido. A Andréa do passado, ainda está lá, e o que é mais preocupante, eu não sei como sair.
          Minha blindagem é sorrir, e o faço de coração leve. Faço pelos outros, o que me foi negado, em contra partida, não consigo deixar que a ajuda seja-me dada por inteiro.
         Por favor, pare! Não adiante me perguntar, não tenho a resposta, simplesmente, não consigo. Aceito o que me é dado, fico muitíssimo feliz, só não sei se consigo transmitir essa felicidade.

         Minha felicidade não é falsa, ensaiada, dissimulada...
... é minha.

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